top of page
LOGO NIGHTMARE COMPENDIUM.png

Comida por formigas

  • 19 de fev.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 20 de fev.



Um ruído que não pude identificar de início quebrava o silêncio da noite, me despertando de um sono pesado, profundo. A imagem embaçada dos olhos recém abertos, ainda mesclando com outras informações desordenadas em minha mente, possivelmente saindo de um sonho que de imediato desapareceu de meus pensamentos.


Conforme me desprendi do estado de transe, notei o ruído aumentando proporcionalmente, e reconheci como um tipo de zumbido que, conforme direcionava minha atenção para tentar decifrar o que era, notei uma sensação de dormência em meus pés.

Dormência, coceira... Uma sensação extremamente incômoda, conforme direcionava minha atenção ao som, a ardência em minha pele aumentava. Fui tomada por essa sensação que agora subia pelas minhas pernas, lentamente, aumentando minha aflição.


Ao primeiro instinto de me coçar e ver o que estava acontecendo, não fui capaz de me mover. Me encontrava deitada com o peito para cima, olhando para o teto.

Meu corpo pesava uma tonelada, não era possível mover meus braços, nem pernas. A única ação possível foi, com muito esforço, olhar para baixo, em direção aos meus pés... E neste momento, comecei a sentir formigas andando em meu rosto.


Eram formigas grandes, pretas, marchando do chão, subindo pela cama de madeira e chegando no topo, soterrando meu corpo em um manto negro que zunia um ruído ensurdecedor. A aflição era misturada com a dor das mordidas em minha carne.


Vinham de todas as direções. Meus pés e mãos estavam cobertos. Meus cabelos também deveriam estar, pois comecei a sentir o formigar no couro cabeludo, testa e nuca. Não demorou para começarem a entrar em meus ouvidos, nariz e boca, e por fim, andarem em meus olhos que estavam abertos em desespero.


Assim fui completamente coberta por formigas que se alimentaram de meu corpo inerte.



Notas:


Esse pesadelo está no meu top 5 da infância.


Tive repetidamente quando tinha em torno de 3-4 anos. Nessa época tive terror noturno. Enquanto sonhava esse (e outros) pesadelo, chorando com os olhos abertos, eu chamava pela minha mãe.

Só diminuiu quando fui levada numa benzedeira.



Posts Relacionados

Ver tudo

1 comentário


Felipe Temponi
Felipe Temponi
19 de fev.

Que texto incrível!


A sensação do “falso acordar” logo no início me prendeu imediatamente. Ficou nítido que aquilo não era apenas um simples pesadelo.


À medida que o conto se construía, a invasão das formigas tornava-se sufocante — quase física. Eu não apenas lia, eu sentia.


Mal posso esperar pelos próximos contos!

Curtir
bottom of page